O MENINO QUE QUERIA SER DEUS




Sensação sensacional não é só o bordão de Djonga, mas o sentimento que fica depois de escutar seu segundo disco, "O MENINO QUE QUERIA SER DEUS". O primeiro, "Heresia", foi um sucesso de crítica, eleito pelo público o melhor disco de 2017 na votação da Rolling Stones.
Para esse novo projeto, Djonga se mostra mais maduro e abordando temas complexos. Como de costume as referências são muitas e, certamente, a maior qualidade do artista. Sua imposição de voz, quase um grito, ajuda a reforçar o sentimento de urgência que as músicas têm. Dessa vez ele procura explorar mais a voz com refrões cantados e rimas mais melódicas. E, não menos importante, seu flow e rimas estão melhores que nunca. Hoje é fácil afirmar que ele está entre os cinco melhores do país. As participações ajudam muito para construir o conceito do disco. "ESTOURO" com  participação de Karol Conka, uma faixa em que os versos es espelham mostra a capacidade lírica de cada um dos dois.
"O MENINO QUE QUERIA SER DEUS" começa logo com uma pedrada, a faixa "ATÍPICO". Destaque para:

O hater diz que eu caí no seu conceito
Pelo menos eu subi na vida

Olhei no espelho e encontrei Jesus, preto
Tipo Auto da Compadecida
Se fosse 2002, eu era Ronaldo
Quando eu entro, nêgo fala: "roubado"
Problemático, foda e focado
Rap jogado ao seus pés, exagerado


O disco segue com JUNHO DE 94 e UFA, com participações de Sidoka e Sant, mas o próximo destaque é para 1010, uma love song diferente. Agressiva e romântica, como Djonga gosta de versar:

Antes transavam ouvindo Jovem Maka
Hoje transam ouvindo Geminiano
Amanhã vão transar ouvindo essa
Nossos menor vão ser atleticano


O grande destaque fica com "CANÇÃO PRO MEU FILHO", uma música que Djonga mostra um outro lado seu, o de um pai sentimental e medroso, mas, acima de tudo, apaixonado pelo filho.

Sempre respeite essa que te deu a luz
Mais forte que cê imagina
E pensa bem o que cê faz com mulher
Outro dia te vi saindo de dentro duma vagina
Sua vó já nem quer mais saber de mim
Só liga pra me perguntar como cê tá
Tem nem um ano e já roubou a cena
Igual eu nos feat, melhor num convidar


Por fim, a participação de Karol Conka não pode passar despercebido:

Revista pra mim era polícia
Até estampar a capa da Rolling Stones
Quero ficar mais rica que a Rihanna
Tipo "Bitch Better Have My Money"
Oh na na, já fui egocêntrica, falocêntrica
E eu centrifugo tudo isso
Vou me construir de novo
Tô dando orgulho pra minha quebrada
Quando a chuva passar
Não vai adiantar vir se retratar
Eles vieram do lixo, nós de Wakanda









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